9.8.05

"Quando a porca torce o rabo pode ser o diabo, mas olha vejam só..."

$$$

Cabeça grossa de pensar.
Ouviu muito algo sobre “você tem que se virar em 50 e ganhar dinheiro, moça. Olha quantos anos você tem! Porque no meuuu temmmpooo...”
Sempre no tempo dele. Queria ter vivido naquela época. As pessoas pareciam ser menos ignorantes e mais produtivas. Não sabia se eram, na realidade, apenas pareciam.
Pelo menos de acordo com o que ele falava.
Realmente já tinha quase 24 anos e só havia conseguido juntar até então muita conta pra pagar, o nome protegido dos comerciantes de boa índole e muita confusão mental. Nesse quesito ela era craque. Conseguia até ouvir, tipo escola da samba no carnaval. Uma voz bem grave, pausada, anunciando: CONFUSÃO MENTAL: 10!
Estava desestimulada com a faculdade, estágio, amigos, namorado, a situação do país estava um pandemônio e ela já nem entendia mais nada sobre política, apesar de continuar sendo governada por. Pra piorar, um crime perfeito. Milhões. Pesava 3 tonelada e meia, disseram no jornal. Coisa de filme!
As idéias corriam de um lado pro outro sem encontrar lugar pra repousar. Três livros esquecidos pelo meio da casa, com leituras inacabadas e vontade de comprar outros tantos. Mais uma vez, a antiga mania de não finalizar.

Para o senhor de cabelos brancos do início: ô, calma ê que eu to me clonando, juro que tô.


Em uma hora qualquer da madrugada...

Era incrível como a insônia que lhe acompanhava por tantos anos ainda ajudava a cabeça a se auto-organizar.
Organizar ela diz, porque é modo de falar, quando sabia que, na verdade, atiçava as minhocas que ainda moravam ali.
Vontade de fazer uma ligação inesperada e criar alguns momentos interessantes, atitude que ajudaria a quebrar a monotonia dos últimos dias.
Daria respostas pendentes a alguém e, quem sabe, perguntaria o que o outro fazia àquela hora da noite, já quase dia.
Saberia-se inoportuna, mas isso era o de menos.
Insanidade criada por culpa de sonhos que ainda não se concretizaram.
Se, por acaso, tivesse um jardim, sairia a essa hora com um saco enorme e cataria cada folhinha caída no espaço verde. Teria um cachorro bem grande que lhe faria companhia. E já nem pensaria tolices.
Os vizinhos especulariam sobre sua saúde mental e sua vida amorosa.
Coisa também que nem importava já que, vizinhas ou não, as pessoas estão sempre com essas manias idiotas tão próprias dos desocupados.
Importava outras coisas agora. Como as palavras que haviam esquecido o caminho de se juntarem pra virar escritinhos doces ou azedos. Isso sim aborrecia. As frases pausadas também.
Conseqüência de pensamentos incompletos que vêm cultivando nervosismos lá por dentro.
Quem sabe aquele passeio pela parte antiga da cidade ajudasse a reativar o botão da criatividade, mas sair de casa não estava sendo tarefa fácil nos últimos dias.
Dorme moça que pensa demais, dorme.

Fortaleza, Terra do Vento

E São Pedro tem é soprado por aqui, viu? Ê lê lê.
Bagunça os cabelos, come o cigarro e traz calafrios indesejados. Quem é que gosta?

1 Comments:

Anonymous Anônimo disse...

é irmã... tempos confusos né? e esse homem de cabelos brancos aí tá certo em muitas coisas, viu? mas só digo uma coisa: tá foda! qeum sabe os anjinhos não dizem amém mesmo pra minha sorte de hj? tu sabe que eu te carreugo, né? Te amo! bjos!!

9:04 AM  

Postar um comentário

<< Home