20.7.05

E Feliz Dia do Amigo...

Dê, Rê, Juju, Nega e Ju
- Cafetinas -


Estava acostumada a pensar mais do que deveria ou, ao menos, gostaria.
Sentia-se sim incomodada nos últimos meses com a sensação que parecia caminhar ao seu lado, quase que de mãos dadas. Lembrava, vez por outra, que haviam feito filmes sobre. Isso confortava por dar a impressão de que estava diante de uma coisa mais normal do que parecia.
Sentir-se protagonista de um mundo de coadjuvantes era pra ela mais detestável do que tinha a pretensão que parecia ter. “Poucos são os curingas” e isso era lição que já havia aprendido tempos atrás. Mas nem com aqueles, contados nos dedos de uma mão só, parecia conseguir se relacionar. Estava, definitivamente, em um mundo unicamente seu. Coisa essa que muito causava estranhamento e questionamentos bisonhos. Fugir era inevitável, pois sentia as marteladas desse novo caminho em cada segundo do seu dia, e noite. Caminhos pra voltar ao ponto de partida pareciam já não existir. Não mais...
Talvez algum momento tenha visto perdidas ou, quem sabe, ao longe, algumas plaquinhas de “saída à direita” que, desapercebidas pela vista curta e a incessante teimosia/preguiça em adquirir novas lentes, acabaram ficando pra trás. Não abandonava a possibilidade de até tê-las visto e as ignorado encorajada na busca de algo novo, comportamento bem típico de uma sagitariana com ascendente em sagitário.
Agora estava ali esperando que o mundo fizesse o favor de aquietar-se apenas por alguns instantes, quando descansaria a mente exausta de tanto funcionar em alguma graminha verde com cheiro de infância, e ali retomaria todos os seus desejos e aspirações. Talvez até concluísse que deveria dedicar-se a um sonho que talvez nunca devesse ter sido abandonado, “serei aeromoça”, e sorriria com vontade.

18.7.05

O frio e o cobertor


Até mesmo o mau jeito que tinha dado no cabelo longo e emaranhado combinava com o momento.

O cigarro na mão, à meia luz, e o jeito sem jeito de se postar, que lhe eram tão próprios, o encantaram mais do que nunca.

Nus e afastados pela fumaça (dela). "Causava alergia", ele insistia.

Ele gostava de cantarolar qualquer coisa que ainda tivesse ritmo e ela já nem se importava, prefereria os pensamentos. Eles sim ainda eram dela.

Deixava sempre um cigarro aceso, bem forte, e papel e caneta por perto.
Escapismos, lembrava com um sorriso quebrado e o olhar ligeiro, quase desinteressado, naqueles que cruzavam a rua longe dela.

***

Ô Adoniran, as vezes o frio é SIM maior que o cobertor, sabia?