28.8.05

Here comes the sun, thu thu ru... And It´s allright!





Final de semana a dois bastava pra ela nos últimos dias.
Curtiam-se, descurtiam-se, enjoavam-se e já se curtiam novamente, porque é bem disso que S E R E L A C I O N A R é feito, né? É uma mistureba de verbinhos reflexivos, uns lindos só de pensar e outros nem tanto, mas fazem nascer essa coisa toda de gruda e desgruda, sim.
Casinha deles, bem limpinha. Com direito até a cachorrinha aventureira, que vez por outra se manda e vai bisbilhotar a vizinhança. Só pra voltar cheinha de plantas agarradas naqueles pêlos todo, como se não fossem soltar nunca mais.
Ela fazia a comida, enquanto ele arrumava tudo: pratos, talheres, copos. E depois, de tão lindo, ainda perguntava se precisava de ajuda. Sorria de lado, negando com a cabeça, feito criança faz, já que perfeccionista que era tinha que fazer tudo sozinha.
Ele se ocupava com o violão e algumas músicas novas tocadas ali, todas do gosto dela. E tocava manso, quase calado, sem anunciar as notas que havia aprendido pra fazer ela cantar, do jeito que ele adorava ouvir. Só, vez por outra, olhava feito criança que quer impressionar, com a cabeça baixa e os olhos focados nela, só nela, que remexia as panelas como se não notasse. Notava tanto que sorria com o corpo todo pra ele.
Depois juntavam-se na cama, abraçados, protegidos um pelo outro, um com o gosto do outro, e dormiam o sonho dos cúmplices.
A solidão gostosa dos dois só havia de ser interrompida por visitas que tinham deixado saudades. E como era bom. Melhor ainda saber de amigos se reconciliando devagarzinho, como deve ser. Não se achou sequer no direito de perguntar qualquer coisa, só de torcer, torcer muito pra que desse certo dessa vez.
E depois ficavam só os dois de novo, com a tv da sala, filmes alugados, ventilador de teto e uma cachorrinha que sumia, vez por outra.

19.8.05

Olha a voz que me resta....


Sentia formigamentos estranhos quando pensava em sentimentos tão grandes. E como eles eram cíclicos. Vez por outra os considerava tão firmes, tão inabaláveis, mas bastava uma carta virtual perdida no meio de uma tarde como essa para lhe fazer enxergar que eles estão sempre em movimento, e como eram vivos!

Leu uma, duas, três vezes aquelas palavras que pareciam ter sido criadas só para causar mais dor. Leu uma quarta vez, pra ter certeza que não estava imaginando nada. Ao final, sorriu, como se desse de ombros pra algo que já foi tão importante. Tinham entendido tudo errado mesmo... não interessava mais.

As vezes não importa o que você diz, quando o receptor só sabe ouvir ofensa. Aprende logo isso, Renata!

" Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa e qualquer desatenção, faça não... pode ser a gota d´água."

15.8.05

PLEASE, DO NOT SMOKE HERE.



E a palavra é... TOLERÂNCIA:

s. f.,

qualidade de tolerante;
ato ou efeito de tolerar;
atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adotada por si mesmo;
ato de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo;
permissão;
paciência;
condescendência;
indulgência;
med.,
aptidão do organismo para suportar sem rejeições os efeitos de um medicamento ou de qualquer outro agente externo.



Tolerar. Verbinho difícil de conjugar esse, impossível de ser utilizado no imperativo. Ordem. Simplesmente não combinava.
Havia enfrentado hoje todas as conseqüências da não utilização desse verbete tão importante e estava convencida a mudar radicalmente a atitude que, até então, havia sido a mais cômoda para si.
Achava-se sim no direito de reivindicar que os outros, quando colocados na mesma situação, adotassem a mesma postura tão bem relatada e exigida por eles.
Na teoria era sempre tudo tão mais fácil.
E isso foi entendido como uma “agressividade desnecessária própria dos sem razão”. Que mundo doido esse, né?

Ré confessa ergueu-se perante todos e declarou-se culpada. Prometeu tentar adotar postura distinta e assim o fará no próximo momento no qual a oportunidade for dada.
E observará... reações, conseqüências e atitudes daqueles tão merecedores de respeito e regras de boas maneiras ao seu favor. Quando cobramos, automaticamente cedemos o direito de sermos cobrados.
E assim será, MAIS EXIGENTE, o que não implicaria em intolerância.
Palavrinha essa que muito havia incomodado no último final de semana.

9.8.05

"Quando a porca torce o rabo pode ser o diabo, mas olha vejam só..."

$$$

Cabeça grossa de pensar.
Ouviu muito algo sobre “você tem que se virar em 50 e ganhar dinheiro, moça. Olha quantos anos você tem! Porque no meuuu temmmpooo...”
Sempre no tempo dele. Queria ter vivido naquela época. As pessoas pareciam ser menos ignorantes e mais produtivas. Não sabia se eram, na realidade, apenas pareciam.
Pelo menos de acordo com o que ele falava.
Realmente já tinha quase 24 anos e só havia conseguido juntar até então muita conta pra pagar, o nome protegido dos comerciantes de boa índole e muita confusão mental. Nesse quesito ela era craque. Conseguia até ouvir, tipo escola da samba no carnaval. Uma voz bem grave, pausada, anunciando: CONFUSÃO MENTAL: 10!
Estava desestimulada com a faculdade, estágio, amigos, namorado, a situação do país estava um pandemônio e ela já nem entendia mais nada sobre política, apesar de continuar sendo governada por. Pra piorar, um crime perfeito. Milhões. Pesava 3 tonelada e meia, disseram no jornal. Coisa de filme!
As idéias corriam de um lado pro outro sem encontrar lugar pra repousar. Três livros esquecidos pelo meio da casa, com leituras inacabadas e vontade de comprar outros tantos. Mais uma vez, a antiga mania de não finalizar.

Para o senhor de cabelos brancos do início: ô, calma ê que eu to me clonando, juro que tô.


Em uma hora qualquer da madrugada...

Era incrível como a insônia que lhe acompanhava por tantos anos ainda ajudava a cabeça a se auto-organizar.
Organizar ela diz, porque é modo de falar, quando sabia que, na verdade, atiçava as minhocas que ainda moravam ali.
Vontade de fazer uma ligação inesperada e criar alguns momentos interessantes, atitude que ajudaria a quebrar a monotonia dos últimos dias.
Daria respostas pendentes a alguém e, quem sabe, perguntaria o que o outro fazia àquela hora da noite, já quase dia.
Saberia-se inoportuna, mas isso era o de menos.
Insanidade criada por culpa de sonhos que ainda não se concretizaram.
Se, por acaso, tivesse um jardim, sairia a essa hora com um saco enorme e cataria cada folhinha caída no espaço verde. Teria um cachorro bem grande que lhe faria companhia. E já nem pensaria tolices.
Os vizinhos especulariam sobre sua saúde mental e sua vida amorosa.
Coisa também que nem importava já que, vizinhas ou não, as pessoas estão sempre com essas manias idiotas tão próprias dos desocupados.
Importava outras coisas agora. Como as palavras que haviam esquecido o caminho de se juntarem pra virar escritinhos doces ou azedos. Isso sim aborrecia. As frases pausadas também.
Conseqüência de pensamentos incompletos que vêm cultivando nervosismos lá por dentro.
Quem sabe aquele passeio pela parte antiga da cidade ajudasse a reativar o botão da criatividade, mas sair de casa não estava sendo tarefa fácil nos últimos dias.
Dorme moça que pensa demais, dorme.

Fortaleza, Terra do Vento

E São Pedro tem é soprado por aqui, viu? Ê lê lê.
Bagunça os cabelos, come o cigarro e traz calafrios indesejados. Quem é que gosta?