Mais uma ficção...
procurava uma maneira, por mais singela e discreta que fosse, de demonstrar a saudade que ainda existia por ali.
e teria que ser assim, doce e discreta. não poderia assustá-lo. não de novo. não poderia se dar ao direito de falar demais ou de menos. não quando sabia ser essa sua última chance.
mas poderia também, quem sabe, esperar o tal nível da angústia baixar, o que aconteceria por esquecimento ou até mesmo por distração. verbo reflexivo que havia trabalhado tanto em si. distrair-se. claro que uma ajudinha do hiperfoco cairia bem nessas horas.
enquanto isso, enquanto não sentia coragem pra nenhuma das duas coisas, continuaria ali, "tesa feito um leque", vendo pequenas porções dele escondidas em tantos outros que passavam em sua frente. como ele, sem nota-la.
vivo? morto? solteiro?casado?
acreditava ter essas respostas, tratando-se da grandeza que possuiam em si.
queria mesmo era os malditos detalhes, eles sim interessavam.
barbudo? dissolvendo pastilhas fétidas pro estômago? o cigarro ainda seguro no braço do violão? amando? sofrendo? perdido? acordado? lembrando? dormindo?
ai como queria, como precisava sabê-lo. por um mísero instante apenas. um pequeno momento bastaria.
imploraria, enfim, por algumas melodias e meia dúzia de incentivos que traria cores novas aos últimos dias de tons pastéis.
certamente.